Claudia Leitte

Cláudia Cristina Leite Inácio Pedreira

¤ 10/07/1980 –  † 21/09/2010
Cantora e baiana genérica

Epitáfio: As academias coroam com igual zelo o talento
e a ausência dele.”
(Carlos Drummond de Andrade)

É conceito lapidar e universal que ninguém experimenta todas as nuanças do acre sabor do fracasso enquanto não se lança a carreira de cantora de axé.

Sólido também é o consenso de que não existe derrota maior que conformar-se com a condição de cópia barata de outra cantora ainda mais combalida, contra quem a rivalidade mortal nascera na lâmina do canivete de brigas de cabaré e que portanto não se resolverá entre as amenidades de um chá da tarde.

E se sua rival, Ivete Sangalo, no ar rarefeito de sua arrogância é POUCO em termos de inovação, mensagem e capacidade, Claudia Leitte, na selvagem miséria do seu desespero de causa, é a personificação do mais desolador NADA.

Nascida em São Gonçalo (RJ) para provar que mato ruim dá em qualquer terreiro, Coalhada, como é carinhosamente tratada pela família da outra, ostenta e explora ao limite o título de cidadã soteropolitana que legitima a sua condição de ‘axezeira’ estereotipada de segunda linha.

Ou seja, a multinacional cúmplice de seus crimes fonográficos tenta vender como símbolo máximo da cultura baiana um embuste que nem sequer é nativo e que, em última instância, não pode fazer frente aos produtos similares 100% maturados no óleo de dendê. Axé ruim de verdade, com o perdão da redundância, só com o selo de qualidade ‘Made in Salvador’ cabendo neste ponto ressalvar, talvez em caráter de desagravo, que neste segmento “Veveta” ainda reina absoluta.

Em face de tal barbaridade mercadológica e imbuída do indelével instinto da covardia que já lhe fez abandonar a dignidade de cursos de Direito, Comunicação Social e Música, seus assessores chafurdam no lamaçal da falta de imaginação na tentativa de adaptar Claudia Leitte segundo o paradigma estabelecido pela cacofônica Lady Gaga que, apesar de não ser um modelo que se gostaria de historicamente preservar, ao menos goza das prerrogativas que sua disposição para protagonizar situações insólitas lhe confere.

Já há algum tempo que as gravadoras multinacionais aderiram à tendência de eleger suas estrelas locais e fornecer-lhes consultoria para que se promovam ao status de estrelas de alcance global em múltiplas plataformas, desde que tragam consigo uma carteira recheada de grandes patrocinadores.

Assim, movida por uma empolgação que não se consegue farejar origem, Ivete foi a primeira a meter o nariz nesta ilusão e vê-la virar pó, juntamente com o que restava de sua carreira, em seu fiasco novaiorquino.

O vexame sofrido pelo desafeto serviu como aviso aos estrategistas de Claudia que, cientes do raquitismo e da falta de gás da proposta em que trabalham, não ousarão enfrentar semelhante desgaste com a cara limpa.

Como novo candidato a humilhação terminal de um Grammy latino, seu último projeto no mundo dos vivos, “As Máscaras”, ensaia uma guinada rumo ao mercado pop, muito maior, mais lucrativo e mais digno para uma mulher que já assume as responsabilidades de seus 30 anos, mas por outro lado expõe um temor de que, uma vez abandonado o reduto do axé, não encontre mais suas portas abertas num eventual retorno “triunfal” caso o plano fracasse.

Essa possibilidade foi tão considerada que impregnou e comprometeu todo o trabalho, de sua concepção musical até aspectos estéticos, apresentando uma Claudia Leitte ainda mais insegura, mais titubeante e que parece absolutamente consciente de que caso o golpe falhe, máscara nenhuma a poupará do desgosto de se ver inscrita nos anais das maiores piadas midiáticas desta década.

Suas declarações de que a fama não lhe faz falta só podem ser interpretadas como uma tentativa de minimizar os danos da iminente bancarrota, uma infantil manobra para promover o seu singleFamo$a” ou a mera indisposição para lutar sob as condições desfavoráveis de seu ocaso, fraqueza espiritual primeva dos que se constroem em bravatas de coletivas de imprensa.

Por fim, ao baixarmos o esquife que leva Claudia Leitte, o axé – trilha sonora oficial das vidas que se esvaem no rastro das micaretas rumo às moendas de gente – estará mais uma vez desfalcado.

Que o esmero com que atiro a derradeira pá de cal sobre esta tumba simbolize a íntima satisfação pelo dever cumprido que me toma e transcende o que as poucas linhas deste necrológio podem expressar.

Material Relacionado:
Comunicado oficial 41/2010
Papel de parede Claudia Leitte do Além
Meu filho não será gay, será bem criado


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162 Respostas para “Claudia Leitte

  1. Esta aí teve poucos defensores. Já o restártaro… Noooooooooooossa. Zilhões de acéfalos e bucéfalos a defendê-los. Esta moça deve estar mal mesmo. Mas faço uma confissão. Sou do tipo que não mato o bichinho, mas se encontro morto, aí eu como. Isto tudo para dizer que se ela me desse eu comia.

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    • È no que dá ler tanta asnice todo dia… Até pessoas mais equilibradas emocionalmente e com uma bagagem cultural melhor, acabam errando. Saudações, Lisinha.

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  2. Esse povo tem oq fazer não, qdo um famo$o é amado por todos q rodeam começam as invejas…CLÁUDIA LEITTE A MELHOR CANTORA DO UNIVERSO. TE AMO VISSE?!

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  3. Nossa! Que criatividade. Que blog!
    Parabéns Coveirinho. Isto foi uma injeção de ânimo para manter o meu blog ativo.
    Continue assim!!
    Abraço!

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  4. Bom está dai tava na hora de se enterrar, a coitada tah perdida já nao sabe mais o que canta,axé ,pop,black music etc aff…vá em paz ,o coveirinho lhe fez um grande favor!!!!!

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  5. Bom,irei começar pedindo ao SR. coveirinho que seja possivel comentar no enterro do ´´restart“,preciso mostrar a vocês o que realmente significa trabalho,prazer e talento…claro o que vocês desconhecem…e não adianta ficar escrevendo dificil ou então usar palavras com significados ocultos…
    A partir de agora Zelia,Couveirinho,Dr. Romulo e Cia terao que saber muito bem o que criticam e como criticam porque irei fazer valer o ditado:
    ´´ o peixe morre pela boca´´
    ok?

    Començando por este enterro de querida Claudinha, lhes pergunto:será que se vocês realmente fossem superiores,por vossas qualidades literarias ou por seus pensamentos sensatos,estariam se expressando somente aqui?em um blog,que só é possivel encontrar se buscar nos grandes sites de busca da rede pelas então criticadas
    CELEBRIDADES.

    SINICAMENTE,
    JUIZA CELEBRE
    SATISFEITA

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    • Permita algumas vírgulas em sua manifestação, cara Tânia:
      O mundo das celebridades é realmente a vasta campina onde grassa a futilidade, no entanto, de minha parte, neste blog só se pratica o coveirismo de alta-performance!
      Obrigado pela visita!

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  6. Diga aí, ilustre Coveirinho!!!

    Pel visto, sua pá está tendo muito trabalho, pois a indústria da mídia não para de despejar material para o Cemitério…
    Sabe, gostei da sugestão do Luizprego. Acho que está mesmo na hora de abrir um crematório aqui, tipo os usados nos campos de concentração nazistas, que é para dar conta da demanda…

    Bem, passei para lhe dizer que voto trocado não dói, meu caro! Então acabo de votar no Cemitério para o 2o. turno do TopBlog!

    Um grande abraço!

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  7. Meu caro, por que você não pensa em cremar? Enterrar tanta gente necessitada vai gastar muita terra, e terra tá cara e raro.

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  8. outra sugestão: criar a seção “mortos vivos” para acolher as “celebridades” que todos nós pensavamos que ja tinham sido enterradas mas são “ressucitadas” por programas tipo “Superpop” e Sonia Abrão: Núbia Oliveira,Rita Cadilac, Sebastiana Gouveia,Simony etc

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  9. lis, eu te juro: prometo pensar seriamente a respeito da sua sugestao…

    A bem da verdade, eu nao ando com muita vontade de fazer algo pela sociedade nao…

    Afinal de contas, TODOS os enterrados aqui neste blog, prometeram um dia, fazer algo pela sociedade e fizeram:

    A tornaram mais estúpida, incapaz, mediocre, hipocrita, burra, alienada e ficaria aqui teclando palavras inuteis a noite toda…

    O fato, é que comecando pela minha familia, ando cansado de opinioes como a sua….

    Mas eu prometo pensar, prometo…

    amém.

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  10. Falando em cemitério,vocês já enterraram o Carlos Alberto de Nobrega?Se não, deem uma ajuda a ele pois foi esquecido em um banco da “praça é nossa”

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  11. O Próximo funeral será dos arrogantes ,prepotentes,mal educacados , metidos a intelectuais ,que só enxergam o próprio umbigo perdem tempo num blog sem sentido, quando poderiam estar fazendo algo pela sociedade de verdade usem essas mentes brilhantes capazes de textos bem elaborados para ajudar ao próximo isso sim seria legal .Ps1: se errei alguma coisa no português desculpem tá. bjãoooooooo

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  12. Coveirinho devo me ajoelhar diante de vossa sabedoria. Ótimo Artigo! Tirou um peso da minha alma, não poderia ter dito melhor!
    Estou aqui hoje para jogar mais terra no túmulo da Cláudia Leitte, a mulher que nem mãe sabe ser!!
    Meus parabéns, Coverinho! Ainda bem que existem pessoas de bom senso nesse mundo ainda… A propósito, humildemente proponho mais dois funerais de bandas (se é que posso chamá-las assim!) que acham serem do rock (hahahah): Fresno e NX Zero! Adoraria enterrá-los, ou melhor cremá-los (assim não voltam mais!)! Valeu Coveirinho e mais uma vez, parabéns!

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  13. Não sei como o mundo abriga pessoas Tão perversas quanto vocês que fazem eSSA porcaria de blog ou site sei lá …
    Amo Claudinha e não importo o que outras pessoas pensam, problema delas !! Mas é inaceitável que pessoas estupendas façam isso com celebridades … não sei se isso é brincadeira , mas temos que lembrar que antes de famosas são pessoas, mães, pais, esposas, filhos …
    Realmente esse é o preço da fama: Pessoas estúpidas como vocês…

    VIVA CLAUDINHA !!!

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    • “Mas é inaceitável que pessoas estupendas façam isso com celebridades …”

      Ou o cidadão nos elogiou na tentativa de puxar nosso saco ou ele não sabe o significado da palavra “estupenda”, o que seria perfeitamente compreensível.

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      • Caro Oscar,
        infelizmente, ao que parece, o buraco onde se enfia a mente do comentarista Dante é mais profundo do que poderíamos conceber.
        Esforço-me para NÃO acreditar que o jovem quis dizer ‘es-tú-pen-das’ acreditando ser esta a grafia e pronúncia de ‘estúpidas’.
        Se foi isso, ‘pessoas estúpidas’, o que ele quis dizer, eu acharia melhor que estinguissemos as escolas logo, de vez, dada a perda de tempo e investimento nesta geração perdida.
        Um abraço.

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    • Direito de resposta:
      O “Estupendas” se refere, sem puxa-saquismo, ao fato
      de os elaboradores desta poircaria terem um intelectualidade
      admirável em relação ao uso e conhecimento da língua portuguesa.

      PS : AMOOOO CLAUDINHA

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  14. Coveirinho, parabéns pelo excelente texto!

    Valeu por enterrar a Claudia Millk*! Esperei por esse funeral desde que a vi assassinando o clássico “Pais e Filhos” com aquela dupla sertaneja naquela desgraça do Prêmio Multishow.

    * Millk = Leitte em inglês.

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  15. Concordo, ela cantando no prêmio Multishow foi triste…
    Ainda por cima colocaram ela pra cantar o refrão, acabou com tudo.
    Quem deve ter ficado muito feliz em dividir o palco c/ ela foram os outros dois cantores!!!!
    KKKKKKK

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  16. Ahh, como eu aguardei esse velório.
    Coveirinho, eu não conhecia nenhuma música dessa mulher, até que um dia alguém me apresentou um vídeo no youtube, no qual ela tentava fazer uma homenagem ao Tim Maia. Fiquei de cara com tamanha desafinação! Aí, movida pela curiosidade, procurei por outros, e lá estava ela, fazendo algum falecido revirar no túmulo. Os últimos homenageados foram John Lennon o Renato Russo no prêmio Multishow. Sacanagem com os caras, né? O mais engraçado, pra não dizer trágico, é que ela não tem o mínimo de segurança, não possui alcance pra fazer malabarismos vocais, mas tenta, se dá mal, é vaiada, e continua tentando. Será que o egão dessa pseudo-cantora não permite que ela enxergue o óbvio? Que nasceu pra isso? Talvez ela seja boa pra gritar em cima do trio elétrico, o que eu não faço questão de conferir, mas se dizer cantora, já é demais, né!
    Já vai tarde! Só espero que ela não queira assombrar os homenageados lá no além túmulo também.

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  17. Foi o epitáfio mais lindo que eu já vi.
    Tem que ter muito senso crítico e domínio da língua portuguesa para escrever um texto maravilhoso como esse.
    Está de parabéns!

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  18. Acho que já tinha feito a sugestão, mas peço novamente: Coveirinho, faça um blogue chamado “Cemitério das subcelebridades – a última morada dos que nunca foram”. A Cláudia Leitte já tentou ser a Ivete, a Lady Gaga, a Madonna, a Christina Aguilera e, se duvidar, até a tosca da Wanessa Camargo, que também vive querendo ser alguém que não é.

    O fato engraçado é a existência dos “radicais”: fãs da Ivete que odeiam a Leitte e vice-versa. Agora pergunto, Coveirinho: como pode gostar de uma e odiar a outra se a diferença resume-se ao tom de cabelo? Talvez essa seja a maior prova de que não se venda o lixo musical em si, mas a imagem de gostosa e poderosa que se reproduz. Afinal de contas, Daniela Mercury sempre esteve fora desse páreo de grande estrela feminina do axé mesmo sendo a primeira, não é? Tudo bem, agora resta-nos sermos abençoados com um “photoshopado” ensaio da Playboy da Cláudia Leitte.

    Ultimamente ela achou alguém mais fácil de copiar: Lady Gaga também é loira, é tosca e faz sucesso. Então basta uma roupa de bife para “arrasar na originalidade” (no conceito dela, claro).

    E quanto ao título de baiana, infelizmente é o que a mídia e ela propõem para vender o lixo. Afinal, axé “bom” é axé baiano. Logo a Bahia, que já produziu tanta gente boa e agora produz uma caralhada de lixo artístico. A Bahia poderia ficar sem essa, ela poderia ter sido cantora de funk e utilizar, de fato, a sua naturalidade fluminense. Não seria estereotipada como uma imitação se pensasse nisso na época em que surgiu, seria a primeira loirinha com cara de patricinha a cantar funk e com certeza poderia levar a “cultura carioca” para os EUA, assim como fez uma de suas atuais inspirações para se sentir valorizada (o que soou pra mim, como baiano, de maneira constrangedora – não pelo ritmo em si, mas pelo ato patético da supervalorização). Até o criador pulou fora desse barco do axé (Luiz Caldas se diz um cantor de heavy metal atualmente, renderia um bom texto para quem tentou voltar ao sucesso com o axé a pouco tempo atrás no carnaval).

    Encerro pedindo a você, Coveirinho, que nos agrade com textos sobre a nova safra de políticos brasileiros: aqueles que tiveram a fama por 15 minutos e tentam uma posição política para continuarem na boa vida. Independentemente de partidarismos, citando apenas alguns exemplos, temos o Tiririca, a Mulher Pera, o Ronaldo Ésper, a Simony do Balão Mágico e até o Cumpadi Washington na Bahia (mas esse desistiu, felizmente). Aguarde, Coveirinho. Se assim continuar a nossa política e o nosso meio artístico, teremos Sangalo para presidente e Leitte para vice quando a gravidade agir sobre ambas.

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    • E ainda por cima deixa as talifãs desesperadas pq não conseguem nem retrucar os argumentos dele. Ficam só na inveja, vai tomar aqui, vai tomar ali… Coisas de sempre. Né, Cris?

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  19. concretem o túmulo por favor…. carnaval tá aí e nunca se sabe…. vai que ela resolve “zumbetar” em algum trio elétrico.

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