Boninho

José Bonifácio Brasil de Oliveira

¤ 04/11/1961 – † 30/03/2011
Déspota multimídia

Epitáfio: “O que torna as pessoas sociáveis é a sua
incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos.”

(Arthur Schopenhauer)

Com tantos anos de serviços prestados à frente de projetos de (f)utilidade similar ao Vídeo Show, Mais Você e Estrelas, Boninho – o filho do onipresente Boni – marcou a ferro em brasa as mentes danificadas que naturalmente herdará se os rios continuarem sua corrida para o mar.

Este currículo, mais o vínculo nefasto com um rol de vassalos – da raça de um Bruno Chateubriand, por exemplo – que se congraça a seu convite em orgias cujo ponto alto é tornar os inocentes transeuntes de Ipanema em vítimas de ovos podres, por si somente justificaria o jazigo perpétuo que aqui lhe foi reservado.

Como nenhuma conquista no plano material lhe compensaria a derrota existencial de um dia ter sido obrigado, pelos votos do matrimônio, a apresentar a fronteiriça Narcisa Tamborindeguy como legítima esposa, desenvolveu uma necessidade vital de purgar o infortúnio da vida privada arrastando o resto da humanidade para o pântano de valores deteriorados no qual naufraga.

Após dez anos sob o respaldo do público sempre disposto a cumprir sua parte e que portanto merece muito cada minuto do Big Brother Brasil e sua distopia, apressou-se em intermediar a renovação dos direitos de realização do reality show até 2016 numa ousada demonstração de fé na irreversibilidade dos danos infligidos ao subconsciente daqueles que tomam as baixarias de cada nova leva de “heróis” como modelo de conduta.

Se de fato não é  o inventor da burrice do telespectador que paga para ter a opinião ignorada em votações caça-níquel, no mínimo deveria ser inscrito no grande livro dos traidores da pátria por ter aperfeiçoado e explorado esse sistema que trata a crassa ignorância do rebanho como commodity.

Não houve tempo para que se pudesse lançar artilharia pesada sobre essa inaceitável décima primeira edição do BBB antes que a patuleia deslumbrada encarasse a realidade do programa que, se já não era nada além de uma aviltante gincana, ainda adquiriu ares de nazismo quando o Sr. José Bonifácio decidiu submeter os mentecaptos aprisionados na própria degradação a um forno cenográfico de uma prova criada para fazer merchandising de um produto Knorr.

Muitos, dentre os que me fustigaram e tentaram me fazer refém da deplorável política de follow/unfollow do Twitter, fingiram se escandalizar com esse novo e lúdico exemplo da ganância sem limites dos anunciantes que não surpreendeu, de forma alguma, as mentes arejadas que jamais alimentaram expectativas sobre ideias menos infelizes vindas do “Grande B” e seus cupinchas, sobretudo quando se resgata na memória a câmara de gás usada pela Fiat na edição 2010 do tal vale-tudo-por-dinheiro.

Partindo de onde partiram seus insights, estes episódios parecem ser tão previsíveis quanto a escolha dos superestimados personagens que por três meses se digladiarão na maratona de humilhações da “casa de vidro”, lugar onde a poesia a rés do chão de Pedro Bial é o toque adicional de crueldade.

Mesmo assim, desavisados que se abandonaram ao próprio desespero frente ao triunfo da canalhice ainda sonham com o dia em que seus vídeos caseiros lhes propiciarão a oportunidade de poder exibir na testa a marca da besta – o rótulo de ex-BBB – para sempre.

Talvez ignorem (ou prefiram ignorar) que a escolha dos brothers não é arbitrária. Que os critérios pessoais do celebrado diretor tem papel fundamental no processo de forma a favorecer os amigos que se alternam nos bacanais do eixo Ipanema-Projac.

Precisam entender que para se tornar um rato de laboratório da “casa mais vigiada do país” é preciso ser um pouco Boninho, pois ele é um pouco de cada participante e suas deturpadas visões de um mundo que acaba na ponta do próprio nariz.

Boninho é Rodrigo Caubói, é o rufião Kléber Bambam, é Thyrso. Eterniza-se nos discursos de Solange “Iarnuou”, de Irislene Stefanelli e de Sabrina Sato, senhoras cuja necedade contaminou toda uma geração que agora sonha triunfar mediante o dolce far niente. É Serginho Orgastic, é Jaque Khury, é Tessália. Também é Dicesar, é o aloprado Dourado e é Ariadna. É Rodrigão, é Maria, mas sobretudo é Bonner, é Bial e é o próprio “Grande Irmão” de Orwell.

Correndo solto sem intervenção do Ministério Público o BBB 11, de longe o mais apelativo de todos, foi um claro sinal do quanto é exequível o projeto deste senhor que visa fundar sobre os escombros desse mundo onde mortos já perambulam entre os vivos uma nova sociedade baseada em arquétipos “brotherizados”, na qual vídeo e vida pornô serão os valores formadores do caráter permissivo de indivíduos ainda mais diminuídos e “macaquizados”.

Eis a única obra e verdadeiro legado de Boninho: a sabotagem  do pensamento.

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57 Respostas para “Boninho

  1. p.s.. desculpem os erros ortograficos e de concordância. Escrevi no cel. e cansado. só espero ter evitado a incompreensão total. rs. Abs

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  2. só para rematar e evitar qq malentendido: posso ter interpretado mal seu texto e se o fiz considere a crítica. Só a fiz pq detectei uma tendência moralista q as vezes me assusta em certos setores da esquerda e sendo eu psicólogo não posso deixar de indicar a armadilha q significa tomar como natural uma moral sexual q é essencialmente burguesa ainda mais na repressão q exerce como critério de juízo moral. Armadilha q a esquerda tende a negar sua afinidade com a liberdade. De resto gostei bastante dos textos. críticas carteiras à s violências q se permite aos operadores da Indo. Cultural.
    parabéns

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  3. Caro,
    Muito legal o situação, e fantásticas as analogias com o nazifascismo
    A única coisa q me deixou meio ressabiado foi um certo tom moralista quando aborda as orgias. Sendo consensuais, o q duvido q seja o caso, não são antieticas nem imorais em si, sem q isso seja algum elogio de uma duvidosa liberdade sexual nelas presente. A vileza deste cara é o perigo q ele representa me parece ser mais estar no fato de q ele já nem tenta esconder seu sadismo, antes o expõe orgulhosamente e não recebe nenhuma resistência. Isso é já uma psicopatia institucional. O q me parece imoral e antietico é a violência permanente q isso engendra, com vítimas reais de atos reais e não pq tais atos seriam uma afronta aos costumes ou doentios

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  4. jamais um tirano em tempo algum souber manipular de maneira vil
    e bestial a opinião publica como fez o srs boninho e pedro bial.
    a esses dois nossas repulsas. bom trabalho coveirinho

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  5. Olá Coveirinho

    Como sempre perfeito!!! Usa as palavras com uma maestria invejável.Adoro te ler.

    Não sabia dele casado com a tal fronteiriça.Fiquei imaginando a loucura que devia ser esses dois juntos… Minha mãe diz:” Dio faz, Dio acompanha!”

    Beijo

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