Angélica

Angélica Ksyvickis Huck

¤ 30/11/1973 – † 25/08/2011
Apresentadora backup

Epitáfio: “Muitos combatem a tirania apenas para
que possam estabelecer a sua própria.”
(Platão)

Mais que ferida exposta da passividade dos nativos da nação lucianohuckizada, cada uma das duas décadas da carreira de Angélica justifica por si a ascensão de tantas impostoras que sob a égide de sua irrelevância transitam impunes e vivem seus melhores dias ciscando aqui e ali.

E mal pode-se reclamar da parvoíce de Daniela Albuquerque, de Íris Stefanelli ou de Geovanna Tominaga. Se a Sra. Huck pode sobreviver tanto tempo à frente das câmeras é de se compreender que qualquer um julgue-se capaz de fazer o mesmo. Qualquer um!

Padecendo de uma incutida obsessão pela vida de celebridade que a faria enfrentar toda a infância mendigando espaço no mundo artístico, teve sua grande chance ao tomar o controle do programa “Nave da Fantasia”, osso que Simony vinha roendo nos estertores de sua dignidade pré-menarcal.

No entanto, a precoce habilidade na arte de puxar tapetes revelar-se-ia inútil frente à inesperada rejeição que o público legaria ao golpe em pleno apogeu da “Ideologia da Água Oxigenada” o que, evidentemente, obrigou o aguardado cancelamento da atração poucos (fala-se em dois) meses após a fortuita substituição.

Sua determinação em descer todos os degraus do amor-próprio expressa em cada verso da inaceitável adaptação do hit “Joe le Taxi” mais as suas exasperantes atuações na pior safra de filmes de Renato “Didi Mocó” Aragão impunham um elevado fator de depreciação à imagem das loiras caipiras à frente de programas infantis, produto no qual a singularmente nefasta Marlene Mattos vinha apostando alto.

A viperina empresária, convicta de que a recém-emergida estrela da pornochanchada Xuxa Meneghel era quem realmente possuía as características ideais para tornar-se führer do exército de emocionalmente flagelados que então se formava, conseguiu mover suas peças para que – uma vez contratada pela Rede Globo – Angélica assumisse a posição redundante para a qual se mostraria naturalmente forjada a ocupar pelo resto de seus dias.

Primaveras passadas, a protoapresentadora decidiu investir na perspectiva sinistra e muito exequível de tornar-se uma versão piorada de Santa Evita Perón: resgatou Lucianus I – o Benévolo – de sua antiga e notória compulsão por moças-de-vira-e-mexe e impôs-lhe contrato matrimonial que incluiu todos os constrangedores rigores da caretice vitoriana.

Face ao cenário muito propício à ascensão de caudilhos, a revista Veja fez jus aos seus leitores publicando uma reportagem – tão extensa quanto despauterada – para defender a tese de que não há casal real mais perfeito, mais charmoso, mais branco e mais digno de comandar a nação-caldeirão que os Huck.

No afã de garantir a carona no rabo do foguete e queimar a largada da próxima corrida eleitoral, a matéria ainda alimentava o monstro do vexame evocando dogmas da (ainda) não oficialmente excomungada “Tradição, Família e Propriedade” justamente nestes tempos de franca revisão da própria definição de “família ideal”.  Um anacronismo de partir o coração!

Ícone, desde então, de um “bom-mocismo” viável apenas neste faroeste caboclo, Angel rendeu-se a própria insuficiência de recursos criativos ao se dar conta de que todas as suas tentativas de firmar-se como atriz, cantora, compositora e produtora só faziam expor ainda mais suas irremediáveis e inatas limitações.

Congelada no tempo nestes quase 25 anos em que nos afronta diariamente, seu passo mais ousado nunca foi além de trocar o penteado ao sabor dos interesses comerciais da Niely, uma marca de cosméticos que jura usar – afirmação, aliás, a qual sou muito propenso a tomar como verídica.

Aprendendo com o marido a emprestar aleatoriamente sua imagem para campanhas beneficentes, especializou-se em escavar com ferocidade a rocha sólida do pragmatismo para abrir vastos canyons entre si e uma realidade que a trata com a ironia, quase sádica, de reservar-lhe cargo num programa chamado “Estrelas” enquanto ela própria é uma das que há muito tempo se apagaram.

Então, torçamos para que esta ocasião de seu emparedamento seja a última vez em que se ouviu falar a respeito de Angélica.

Curiosidades e material relacionado a Angélica: clique aqui

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51 Respostas para “Angélica

    • Tamires, meses atrás selei o compromisso de não mais sepultar celebridades sem o “Certificado de Infâmia” do Cemitério das Celebridades.
      O tal André Marques ainda precisa babar muitos ovos para tornar-se ao menos infame.
      De qualquer forma, toda sugestão é considerada.

      Curtir

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